quinta-feira, 16 de julho de 2009

De reis, rainhas e máscaras


BLOOMBERG

O que é a vida para quem aposta, não na Bolsa de Valores, mas na bolsa dos valores, das vastas emoções e pensamentos imperfeitos (confiram coluna de ontem): pois, um dia atrás o sobrescrito sentia-se o próprio miliardário com vários itens das cotações à disposição – hoje teve queda na bolsa. Mas nada de crash ainda.

gestual

O professor Vicente Serejo abriu o ciclo de conferências que a loja maçônica Bartolomeu Fagundes inaugurou ant’ontem, dia da tomada da Bastilha: falou durante 40 minutos sobre a “Revolução Francesa e a liberdade de expressão no Brasil”. Assim, de improviso, sem papel diante dos olhos, sem notas de socorro, nem teleprompter (como se diz “a braços soltos”).

gestual II

Lembrou aos maçons presentes que foi a burguesia quem derrubou a Bastilha – não o povo, nem os movimentos de esquerda de antão. E resumiu o lado patético dos donos do poder ao descrever a figura carnavalesca de Luís XIV adentrando o palácio – dois galgos na coleira – e gritando: “L’état cest moi”.

gestual II

Não é segredo pra nenhum maçom que de Luíses XIV, XV, XVI etc. este Ryo Grande os tem e abriga em abundância. Mais até do que camarão de viveiro. A única diferença é que estes ao menos são exportados.

gestual III

Ao lembrar dos arroubos de Luisinho Décimo-quarto, o sobrescrito (fantasiado de Luís XIV na corte de Simone de Beauvoir) acrescentaria: “si l’état cest moi, l’enfer sont les autres”.

JURA

“O trabalho do júri não é criticar, mas sim incentivar” – de Iaperi Araújo, presidente do júri do FestNatal 2009, que será aberto com o 9º Festival do Vídeo Potiguar, próximos 21 e 22, 18h, no SEBRAE, sessão única, de grátis.

PERSONA

Amaro Lima (herdeiro, entre outros atributos, do legado artístico do tio Antônio Bento) ministra Oficina de Maquiagem de 23 a 29 de julho, no Teatro Alberto Maranhão. As aulas acontecem à tarde, das 14 às 19h e são de grátis.

Amaro vai falar, entre outros temas, sobre a história da maquiagem e técnicas de envelhecimento e caracterização.

PERSONA II

No mesmo local e período (horário diferente, a partir das 17h), e de grátis também, Ronaldo Costa ministra Oficina de Iluminação, onde aborda diversos temas como eletricidade básica, variáveis da luz, histórico da luz no teatro ocidental, equipamentos de iluminação cênica, sistemas analógico e digital e etapas de um projeto de luz.

PERSONA III

Como as oficinas acontecem paralelamente, espera-se uma interação entre os participantes das duas.

Inscrições no TAM, informações pelo número 3232.9702.

PERSONA IV

Nunca é demais lembrar que, antes de ser “tio de Amaro”, Antônio Bento era já um dos maiores críticos de arte destes Tristes Trópicos e responsável pela vinda de Mário de Andrade ao Ryo Grande. Bento era amigo do autor de “Macunaíma” e inspirou um dos personagens.

PERSONA V

Como também nunca é demais lembrar – e cobrar – à Fundação Zé Augusto a reedição de “Manet no Brasil”, um clássico de Antônio Bento, publicado originalmente em 1949, ano do centenário da vinda do pintor ao Brésil, e prometida pelo próprio presidente Crispiniano Neto.

Subindo a serra

Paralelo – olha só – às Oficinas de Maquiagem e Iluminação, acontece o 6º (já?) Festival Gastronômico e Cultural de Martins (de 23 a 26 de julho).

Enquanto 2010 não chega, a disputa eleitoral promete esquentar as baixas temperaturas da serra: no páreo, os chefes (de cozinha, claro) Aparício Ferreira (Hotel Rifólis), Erilson Bonifácio (Pinga Fogo), Fábio (Mazzano), Márcio Maciel (Talher), e Sandro (from Caicó City).

Oficinas em banda de lata, desde como usar a tal flor de sal até como fazer um fondue sertanejo (enquanto o sommelier Rodrigo Lima vem com uma oficina mui interessante – “Harmonização de vinhos e cozinha regional” – que deve ser muito útil quando o cidadão quiser comer uma buchada e ainda fazer bela figura para a/o acompanhante).

descendo a serra

Pra justificar o aspecto “cultural” do banquete, o festival apresenta uns shows (Alcimar Monteiro, Eliane, Isaque Galvão e um tal Sax in Bach, entre outros) e convidou Osair Vasconcelos pra conversar com alguns autores, entre eles François Silvestre, que, imagino, aceitou porque tá por ali mesmo e tal.

PROSA

“Aqui ninguém leva a sério o fim do mundo.”

Bioy Casares

Histórias fantásticas

VERSO

“um cavalo solitário / disfarça o tédio / mastigando a paisagem”

Diva Cunha

“um cavalo...”

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Valores e valores


Acho que o sobrescrito já comentou por aqui como é bem sacada aquela publicidade de um cartão de crédito que afirma que existem certas coisas na vida que não têm preço. A boa sacada é que se reconhece essa verdade, ao mesmo tempo em que se reforça outra, indiscutíveis as duas: para o restante de coisas que se podem efetivamente comprar, nada melhor do que um cartão de crédito – e algumas coisas, crianças, valem realmente à pena comprar, pagar, consumir, por mais inúteis e supérfluas que aparentemente sejam.

É verdade, também, que o cartão de crédito nos garante hoje o que talvez não seremos capazes de pagar amanhã – ah, mas isso é só um detalhezinho besta, que a gente empurra pro final do mês, decide depois, se preocupa depois, porque não tem nada melhor na vida do que viver o hoje, o imediato e tal. Tipo assim: nóis sofre, amanhã, mas nóis goza, hoje.

Tem ainda o problema básico em arrumar um crédito razoável para o cartão, mas isso também fica por conta do titular e das manhas do seu gerente.

Pois, pois, pois, saiu um livro por esses dias, lá pras bandas da Inglaterra, que procura justamente determinar um preço sobre os tais valores que não têm preço – tudo devidamente amparado e corroborado por uma pesquisa, que os ingleses são sujeitos muito racionais e não são dados a palpites gratuitos.

Os resultados são interessantes: em primeiríssimo lugar, a saúde – valor de mercado, na tal “bolsa de valores das emoções”: 207 mil euros. Por saúde entenda-se a sensação que se segue ao ouvirmos que estamos bem e que nenhuma doença nos aflige.

Em segundo lugar – olha só: ouvir alguém dizer “te amo” (188 mil euros).

E por aí vai:

- Viver uma relação estável (178 mil ),

- Viver num país seguro (149 mil ),

- Ter filhos (142 mil ),

- Rir (124 mil ),

- Sexo (121 mil ).

O interessante é que para os entrevistados (são ingleses, claro) ter filhos não chega nem ao dobro de ter um animal de companhia (90 mil ), ler um livro vale mais que ir ao cinema (61 mil contra 24 mil ) e comer um chocolate pode valer mais que uma boa refeição (47 mil contra 36 mil ).

E é claro que vocês prestaram atenção que os ingleses loucos pagam três mil euros a mais pra rir, em vez de uma bela... como se diz mesmo? – transa, vá lá.

Enfim, acho que mereço embolsar meus 124 mil euros, rindo à toa: noves fora os 149 mil euros que perco diariamente, posso agora me declarar um sujeito razoavelmente rico. E nem espero que vocês me dêem crédito – essas coisas não se compram com um cartão.

*

câmbio

“Com a crise, as pessoas estão experimentando novos estilos de vida e buscando qualquer coisa que possa substituir o dinheiro.” – dos autores Steve Henry e David Alberts, que informaram ainda que poucos entrevistados, ao escolher as coisas realmente importantes, citaram o dinheiro, preferindo referir-se a situações familiares (estar em companhia dos amigos, ver os netos, passar o tempo livre com tranqüilidade etc.), o que tornaria um padeiro, por exemplo, mais rico do que um banqueiro ou um político.

Confirmado: Mário Bortolotto e Reinaldo Moraes batem papo, trocam figurinhas e encerram nas alturas, além do bem e do mal, o último dia da Feira do Livro de Mossoró City. De gerações diferentes, o primeiro já declarou que o segundo foi seu “ídolo literário de juventude”.

Ainda a Feira: grande possibiléixon – como diria Marcelus Bob – de o programa Entrelinhas da TV Cultura cobrir o evento. Assim sendo, nada de Pânico!

Mirabô reloaded

Pras más línguas que dizem que nada acontece de bom na Fundação Zé Augusto, o projeto Poticanto (hoje, 20h, TCP) traz Odaíres interpretando canções de Mirabô Dantas. Uma viagem no tempo. Melhor: de grátis. Retire sua senha no TCP, ou na Flamma Luminárias, ou na Carne e Cia.

TIM unplugged

Enquanto ali pertinho, no Belle de Jour Bistrô, Iggor Dantas interpreta Tim Maia, em show acústico, acompanhado pela guitarra de Ricardo Baia: 20h.

PROSA

“Eu viajo na primeira classe, mas reconheço sem discussão que hoje todas as vantagens favorecem o passageiro da segunda.”

Bioy Casares

Histórias fantásticas

VERSO

“num cofre de pedras raras / e palavras femininas / o meu desejo amofina”

Diva Cunha

“de prata é o meu”

terça-feira, 14 de julho de 2009

Se cuida


Sabe aquele famoso augúrio, recomendação, conselho, que normalmente encerra um pé-na-bunda e o início (ou intensificação) de uma dor-de-cotovelo? Pois: a artista francesa Sophie Calle o seguiu ao pé da letra e juntou o útil ao agradável, quer dizer, o inevitável ao desagradável, numa exposição que segue até o sintomático 7 de setembro, dia da independência – verdamarela, certo, mas que pode ser adaptada à vida pessoal de cada um.

O título da mostra (“Cuide de Você”) é resposta e mote para o trabalho, que consiste em mais de cem interpretações feitas por diferentes mulheres sobre uma carta recebida pela artista na qual seu namorado rompia o relacionamento com ela.

Por aqui, na Capitania das Artes? Por aqui, na Fundação Zé Augusto? Por aqui, no NAC da UFRN? Não, não, e não: no Sesc Pompéia, Sampa.

Ou seja: se lhe interessou o argumento, pegue um vôo para a Paulicéia Desvairada para conferir os desvarios dessa artista e desse tipo de arte, que muita gente ainda considera puro engodo, embromação.

A verdade é que a moça (nem tão moça assim) tem a mania de se expor, misturando sua própria vida ao fazer artístico. Pelo que entendi, suas obras incluem peripécias como seguir um estranho por meses seguidos; enviar uma vez por ano uma peça de vestuário para um possível pretendente que ela achava mal-vestido (explicando seu plano: “No dia em que ele estiver completamente vestido com o que escolhi, gostaria de reencontrá-lo”); e até desistir, definitivamente, da idéia de fazer uma plástica no nariz porque na véspera da cirurgia seu médico se mata.

A vida-arte de Calle já influenciou, inclusive, a ficção literária: uma personagem do livro “Leviatã”, de Paul Auster, foi assumidamente inspirado na francesa, que, multimídia, escreveu também livros, como o “Histórias reais”, lançado recentemente nos Tristes Trópicos na última feira de Paraty.

A idéia do “Cuide de você” surgiu quando o tal namorado (um escritor francês) rompe o relacionamento com a artista através de um email – Sophie sofre, mas não se faz de rogada, aliás, faz, metaforicamente, do limão uma limonada: com a desculpa de compartilhar e entender o que estava se passando encaminha o email para 107 mulheres, escolhidas a dedo por suas diferentes profissões e reúne tudo numa exposição (que rola o mundo já há dois anos).

Enfim, faz lembrar aquela resposta de não me lembro qual artista a um ingênuo interlocutor que lhe perguntou algo tipo “se eu fizer tal coisa absurda e disser que é arte, é arte?” – que o tal artista, sabidinho respondeu: “Se você fizer, não. Mas se eu fizer vai ser arte.”

Pensando nisso, retomo aqui um email que uma amiga enviou para seu ex – a amiga não é poeta, não se pretende poeta, mas escreve como (e como não é artista, prefere o anonimato) – confiram: “pensei muito em você agora seu merda / agorinha quando tava voltando pra casa / tomei sorvete de nocciola / e bebi um cosmopolitan / é esse calor, esse ar sufocante / alguém levou o vento embora pra bem longe / depois, pensei / dessa vez não consegui, ou não quis, sei lá, evitar / passei um dia tão feliz, tão eufórica / devia ter adivinhado como iria acabar / sabe aquela historia, quando você ri muito é porque vai ter uma raiva? / pois / torço que passe logo / mas / nesse momento / queria muito suas mãos em mim”.

*

duchamp

A propósito, o artista que deu a resposta sobre o reconhecimento de uma obra de arte depender de sua autoria foi o pernambucano Paulo Bruscky – eu pensava que poderia ser Marcel Duchamp, mas Afonso Martins me esclareceu a dúvida: “Foi um Duchamp do Capibaribe – Bruscky discutindo com um gendarme pernambucano, anos 70”.

CAICóLAND

Ailton Medeiros deve ter adorado a repercussão do nome do CD de Dodora Cardoso, “Caicó também está no mapa do Brasil”, que a cantora lança amanhã no TAM. Oito da noite, R$ 20 o ingresso inteiro.

VIVO

Enquanto hoje, no mesmo TAM, Jair Rodrigues se apresenta como atração principal do projeto Seis & Meia. A “atração local” é Liz Nôga. Jair Rodrigues, me informa o release, está com 63 anos e já lançou 41 discos. Se o cantor não tivesse vindo a esta Capital, eu juro, não saberia dizer se estava vivo ou morto.

alienado

“Quando, em 1974, na UFRN, eu defendia e dizia que Roberto Carlos era o maior artista do Brasil, muita gente me chamava de imbecil. E quando criei seu fã-clube em Natal, as pessoas diziam que eu era alienado. Pois é, nada como um dia atrás do outro pra comprovar que eu tinha razão.” – José Normando Bezerra, presidente do fã-clube Além do Horizonte.

PROSA

“Ocorreram mais coisas neste povoado nos últimos dias do que em todo o resto de sua história.”

Bioy Casares

Histórias fantásticas

VERSO

“belo casal! / ele não é o bem / eu não sou o mal”

Diva Cunha

“eu tão entupida...”

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Limpe seu nome

Onde eu vi mesmo? – digo, o anúncio? Ah, num desses blogs da vida virtual, de cada dia, hora, minuto, segundo, milésimo de segundo. Engraçado, estava ao lado de uma nota sobre ação de busca e apreensão contra um ex-prefeito. Os advogados do acusado já tinham, inclusive e segundo a nota, apresentado sua defesa. Imagino que os custos – se diz também “as custas”?, parece que sim – de uma defesa dessas sejam relevantes pro bolso de qualquer um. Mesmo para aqueles na condição de ex. Ou, ainda mais na condição de ex. Pensem nos ex-maridos: são capazes de tudo para não perder percentual qualquer do mealheiro. Mas eu falava do anúncio e ainda não expliquei qual anúncio – é o que segue:

“Limpe seu nome: R$ 40,00 Sem pagar suas dívidas. Em 15 dias Sistema 100% dentro da lei.”

Olha que maravilha. Quarenta contos! Com meras e poucas e parcas e escassas quatro notas de dez, você leitor, você leitora, pode se sujar o quanto quiser, no caos, na lama, na chuva, na praia ou na fazenda, numa cobertura na Getúlio Vargas ou numa casinha de sapé. Pode enfiar o pé na jaca, pode trair sua mulher com a mulher melancia ou qualquer fruta da estação. Pode enfeitar a cabeça do seu esposo-até-que-a-morte-vos-separe com uma galhada daquelas de fazer inveja ao pai de Bambi. Pode chafurdar no mar de lama ou no Beco da Lama, pode ficar mais sujo do que pau de galinheiro. Basta que você deixe de tomar suas quatro doses de uísque, comprar um CDzinho, um livrinho, quatro ou cinco revistas, e tamos conversados.

Quarenta contos. Que são quarenta contos diante de seu nome limpo na praça? Custa mais limpar seu carro no lava-jato da esquina. Não sei se seu nome sai com cheirinho, mas – garantido – sai do Serasa, SPC, CCF, o diabo-a-quatro. É a exata quantia que o Iscariotes ensacou pra pegar Jesus pra Cristo. E em apenas 15 dias você se livra da forca, da cadeia ou do sentimento besta de vergonha.

Como a coluna é adepta do tal jornalismo investigativo me dei ao trabalho de clicar no link do anúncio. Fui dar num sítio arrumadinho com a foto de um senhor de meia-idade muito do bem apessoado, barba e cabelos grisalhos, rugas na medida certa, olhos verdes, ou azuis – claros, enfim, que o negócio é simular ou se identificar ou almejar um lugar na mesa da elite branca. Por falar em alvura, o colarinho do homem era branco, certo, mas, para não dar muito na vista, com listras azuis, pálidas, pálidas. Pela arrumação do design gráfico, o nome do sujeito é Ricardo Goldushy, com um “Dr.” antecedendo-o para emprestar maior importância e justificar o aval. Reforça o Dr. Goldushy: “É possível limpar seu nome, sem pagar as dívidas.”

Desconfio que o Dr. Goldushy gasta a cada quinzena R$ 40, para se mostrar assim, sempre impecável. Eu faria o mesmo, se me chamasse Ricardo, se tivesse sobrenome pomposo, se fosse doutor. Mas, não. Acho que é melhor ficar com meus quarentinha no bolso. E passá-los pro próximo garçom. A vida é curta.

*

NEVERLAND

Os Correios dos Tristes Trópicos não perderam a chance de se dar bem com o decesso do black&white M. Jackson: derna semana passada os nativos podem enviar telegramas de condolências à família do artista, usando o sítio da estatal.

E podem escolher entre duas mensagens devidamente traduzidas para o inglês ou inventar a sua própria. Se optar pela facilidade dos modelos prontos, o custo é de R$ 48 ou R$ 56 – mas em qualquer uma das três opções o telegrama será entregue em versão impressa no ranchinho da Terra do Nunca.

NEVERLAND II

A turnê de M. Jackson não vem mais para o Machadão – mas, e daí? No Machadinho, último sábado do mês, desembarca Padre Fábio de Melo com sua turnê “Eu e o tempo” – corram que os ingressos já estão acabando (e o Machadão e o Machadinho, também): os mais ricos podem até ter alguma dificuldade em adentrar o reino dos céus, mas que já esgotaram as cadeiras numeradas, ah, isso já.

NEVERLAND III

Mas, olha como Mossoró City é o cão-chupando-manga: o presbítero mais bonito do Brazil passa por lá um dia antes.

Mas bom mesmo, crianças, vai ser a presença de Padre Fábio no “1o Cruzeiro Católico Navegando com Nossa Senhora”, de 9 a 12 de fevereiro do ano vindouro. O roteiro é bem bestinha (Santos-Rio-Búzios-Santos), mas tem cinco refeições diárias e o fiel pode pagar no cartão em 10 vezes. Sem juros, que a usura é pecado.

Myriam Rios também vai estar presente. Fosse vinte anos atrás e eu queria ver a fé do padre.

PROSA

“Se há mistério, virá à luz.”

Bioy Casares

Histórias fantásticas

VERSO

“solenemente lavei as calcinhas / vendo subir dos dedos / estrelas de sabão”

Diva Cunha

“solenemente...”

sábado, 11 de julho de 2009

Adivinhe quem vem para o café-da-manhã: Paulo Araújo

“O jornalista curraisnovense Paulo Araújo morou em Angola de julho a dezembro do ano passado. A convite do Ministério das Comunicações de lá, ajudou a criar o primeiro jornal de economia e finanças do país que mais cresce na África hoje.”

A apresentação acima é do próprio Paulinho Araújo, sugestão para o sobrescrito, mas indicação, também, de como o rapaz é objetivo e bem mais modesto do que a maioria dos colegas de profissão e cargos públicos e privados.

O “Pequeno dicionário angolano” que segue é uma contribuição para enriquecer os conhecimentos do leitor e lembrar que estamos muito mais próximos de Luanda, Angola, do que de Lisboa, Portugal.

Pequeno dicionário angolano

ARQUITETURA

Luanda é um prato cheio para os amantes da arquitetura dos anos 60. Mas tudo precisa de reparos. Alguns imóveis foram demolidos pra dar lugar a prédios novos, inspirados na arquitetura de gosto duvidoso de Dubai e construídos ininterruptamente dia e noite por chineses. Junte-se o trânsito caótico e as gruas da construção, que se contam às centenas, e têm-se um cenário do filme “Blade runner”. Na zona sul da cidade predomina o “Alphaville way of life”.

BELEZA

As angolanas são altas, altivas, orgulhosas da beleza natural que têm. Pernas, barriga, bunda, tudo na mais perfeita harmonia. Os homens também são muito bonitos. Vê-los em propagandas na tv, jornal e outdoors é uma verdadeira lição de vida real para os nossos publicitários, que ainda teimam em retratar um Brasil cada vez mais moreno, metáfora caricata da Suécia que não somos.

BRASILEIROS

São imensamente amados pelos angolanos, que querem ser exatamente iguais a nós. Vão para lá trabalhar principalmente em construção civil e voltam ao Brasil a cada três meses para renovar o visto e rever a família. Moram em residências coletivas, andam em grupos e, no geral, morrem de saudades de lá e de cá. Geralmente, passam por um processo de desconstrução psicológica grave ao se deparar com tanta miséria convivendo lado a lado com bens de consumo que jamais serão vendidos no Brasil.

CAPITAL

Luanda, cujo nome completo é São Paulo da Assunção de Luanda, é, foi e sempre será um cidade belíssima, mesmo mergulhada no caos da guerra civil que lhe consumiu 30 anos de vida. Nos tempos gloriosos, era chamada de “Rio de Janeiro de África” ou a Lisboa dos Trópicos”. Ela fica exatamente no mesmo paralelo de Recife. Vivem em Luanda aproximadamente 6 milhões de habitantes. No país todo, talvez 14 milhões, numa área do tamanho do estado do Pará.

CLIMA

De maio a setembro, vive-se um inverno agradabilíssimo, chamado de “cacimbo”. Por causa de uma corrente marítima vinda do mar, o céu fica cinzento durante o dia e à noite faz um frio que exige casaco. É possível fitar diretamente o sol sem desconforto no final do dia, quando ele transforma-se numa bola de fogo amarela e põe-se no mar.

COMIDA

A base da comida angolana é a mesma da brasileira. A nossa galinha cabidela foi inventada por lá. O prato mais típico é um pirão feito de milho branco, chamado “funge”, que para nós lembra mais uma massa de tapioca mole, servido com cerimônia aos sábados, acompanhado de peixe como carapau ou quizaca. Uma angolana está pronta para casar, ali por volta dos 18 anos, quando sabe fazer um bom funge.

DOENÇAS

O paludismo e a febre amarela são as mais freqüentes, mas o combate é muito eficiente. É preciso estar atento à higiene dos alimentos. Os mais radicais não bebem nada com gelo, com medo da procedência da água. Comer hortaliças cruas também não é recomendável. O vírus da aids ainda acomete 40% da população, motivado principalmente pelo hábito cultural da poligamia.

ECONOMIA

Cresceu a taxas inacreditáveis de 25% ao ano, em média, até a crise financeira do ano passado. O país é presidente da Opep desde dezembro de 2008. Petróleo (1,9 milhão de barris/dia) e diamantes (9 milhões de quilates em 2007, sendo que só 40% das reservas foram exploradas) são as duas principais indústrias de base. Mas ainda falta tudo na indústria de transformação. Resultado: tudo que consome-se, exceto pouca coisa de agricultura, é importado. É a cidade mais cara do mundo para estrangeiros de acordo com o Banco Mundial. Uma rodada de pizza bate fácil nos 100 dólares – moeda corrente além do Kwanza (a cotação é de USD 75 para cada 1 Kwz). Uma garrafa de água (R$ 2,00), custa mais do que um litro de gasolina (R$ 0,40). [continua próximo sábado] [Paulo Araújo]

*

PROSA

“Houve uma época em que o jornalismo foi parcialmente do povo.”

Fausto Wolff

A imprensa livre de

VERSO

“A qualidade de verdade num homem se sustenta em meio a todas as mudanças”

Walt Whitman

“Folhas de relva”

sexta-feira, 10 de julho de 2009

O amor é cego e hoje é sexta-feira


SAPORE

A Casa do Cordel lança hoje, 19h, terceiro piso do Midway, o livro “Sabores di versos”, de Tonha Mota.

Mel

Pra provar que a rapadura é doce mas não é mole não, Ailton Medeiros está reunindo em antologia muitos dos muitos textos esparramados pelos últimos 40 anos – que o homem escreve derna que lhe cortaram o imbigo. O título deve ser “Bombons com fel” ou “Bombons de fel” – pouco importa: o negócio do jornalista é não deixar mancar o fel.

Terra de cegos

Já “A cega natureza do amor” é o título do próximo livro do, também, jornalista, e publicitário, e escritor (quase que três redundâncias encarrilhadas) Patrício Jr. O lançamento é na próxima quinta, 16, adivinhem onde? No terceiro-piso-do-midway-claro.

Cada um dos 13 contos é acompanhado de uma foto de Drika Silveira e um deles está sendo adaptado para o cinema pelo diretor Buca Dantas (que também é jornalista, claro). Durante o lançamento, Marlos Ápyus – jornalista também – dá uma canja (agora chamada de “pocket show”) e sua interpretação musical do livro.

MUSEU

Amanhã tem mais uma Feira de Antiguidades no Cidade Jardim. O sobrescrito esteve na última e não achou lá essas coisas, não – mas tem sempre uns livros velhos que fazem a alma e os tostões valerem à pena.

Circo

O secretário de Trabalho e Ação Social Fabian Saraiva, o deputado estadual Fernando Mineiro, e o diretor da Zoon Fotografia Henrique José, estarão hoje à tarde no Circo Grock, na Candelária.

Calma, calma, não é o que vocês estão pensando: os três são os entrevistados do programa Diálogos de Juventudes, que vai ao ar pela TV Câmara aos sábados.

Quem quiser assistir a gravação, ao vivo, hoje, 15h, o acesso é livre.

DE LEI

Se você conhece alguém que possa ser considerado um “patrimônio vivo” deste Ryo Grande e esteja na pindaíba – o que é bem provável – oriente-o (ou oriente-a) a procurar a Fundação Zé Augusto: até o 20 de agosto estão abertas as inscrições para receber uma das 10 bolsas no valor de R$ 750 (pessoa física) e R$ 1,5 mil (pessoa jurídica, isto é, grupos com efetiva atuação cultural no estado).

É a Lei do Patrimônio Vivo (mandato Fernando Mineiro) até que enfim posta em prática. Quer saber mais? Ligue para 3232.5337.

Valetudo

O leitor, a leitora, tem até hoje para acessar o sítio do Forró do Pote (www.forrodopote.com.br) e concorrer a cinco ingressos para o show de Dorgival Dantas, amanhã, sábado, dia 11, 22h.

Não sabe quem é DD? Mas, garanto que sabe os versinhos “Você não vale nada mas eu gosto de você, tudo que eu queria era saber por quê” – sem ironia alguma, umas das melhores letras dos últimos tempos.

De bar em bar

Eliade Pimentel anda recomendando, Ana, do Buraco da Catita, também recomendou – como o sobrescrito ainda não foi, só pode confiar no bom gosto das duas: o Lá na Carioca abre de quinta a sábado, a partir das 18h. Tem música ao vivo e um dos bambas sempre presentes no pedaço é Franklin Novaes. Fica na Gonçalves Ledo, 808, ali pelo Baldo. Se ligue e saiba mais: 9175.9922.

De bar em bar II

Já a recomendação do Seis em Ponto (Prudente com Miguel Castro) veio – olha só – do Marechal Porpa. Além do atendimento, dos petiscos e da cerveja, hoje tem a banda Salada Sonora interpretando clássicos do pop rock nacional das últimas duas décadas. E, amanhã à tarde tem choro, e à noite a banda Café mistura Bee Gees com Beatles e que tais.

De bar em bar III

Já o Sancho Pub entra aqui sem recomendação alguma – a não ser que hoje serve de palco para o lançamento do primeiro CD da banda 2 Polos, “Quando eu menos esperar”. Começa às 10 da noite e tem participação extra da banda Tricor.

De bar em bar Iv

Já o Aprecie Pub – que dispensa recomendações – deve ser tomado pelos fãs de Raulzito Rock Seixas, amanhã, 22h, com show-tributo da banda Mamãe Ganso, que com esse nome dispensa comentários e deixa qualquer um, com certeza, maluco beleza.

Adoração

Faltam ainda dois anos para o centenário da Dore, mas a tradicional fabrica de refrigerantes potyguar já agendou o lançamento do programa “Adore a Vida”, para promover qualidade de vida entre funcionários, famílias e a comunidade de Parnamirim Fields, onde a fábrica está instalada. O projeto é subdivido em quatro: Adore a Vida, Adore Esporte e Lazer, Adore Educa e Adore Motiva.

Como pretende ser enquadrado na Lei Rouanet de incentivo à cultura bem que podiam criar um quinto: Adore Ler. Que de leituras e leitores estamos cada dia mais carecidos.

Daí que não é à toa a nova onda do twitter: dá menos trabalho pra escrever e pra ler, também.

PROSA

“Eu vejo o Brasil a partir do meio-fio da calçada, a partir da lágrima da criança no meio da rua às três da manhã.”

Fausto Wolff

A imprensa livre de

VERSO

“Nenhum pivete é preso por roubo sem que eu o acompanhe, e seja julgado e condenado.”

Walt Whitman

“Folhas de relva”

quinta-feira, 9 de julho de 2009

La prima donna e as outras damas


Hoje à tarde a senhora Sarkozy desembarca na Itália. Até aí nenhuma notícia: começou ontem mais uma reunião de cúpula do G8. Começou vírgula: para Carla Bruni não, que ontem o programa era apenas pras primeiras-damas. E La Bruni não é uma primeira-dama qualquer, ela é a razão de ser do suposto homem-forte da França. Sem Carla, Nicolas é Picasso sem tinta, Ferrari sem combustível, Sinatra sem resfriado e Gay Talese sem o famoso perfil de Frank que o consagrou. Pois.

Hum. Noves fora o joguinho besta de frases acima, a senhora Bruni Sarkozy desembarca hoje na Itália, já disse, mas desembarca direto onde os chefões do mundo, seu maridinho um deles, se encontram: em L’Aquila, nos Abruzos. (Vocês hão de lembrar: houve um terremoto daqueles, ali, vésperas da última Páscoa, e os países ricos acharam por bem discutir, em meio aos escombros de uma catástrofe natural, para aonde caminha a humanidade e seu desejo doido de provocar catástrofes artificiais. Sintomático, pois.)

Carlota justificou o abandono do convescote de mulheres (mesmo sendo essas as first ladies mais poderosas, literalmente, da Terra) porque, disse, prefere estar no meio da gente que sofre, entre as tendas do campo de desabrigados. Vai dar uma passadinha também na igreja de Santa Maria Del Suffragio, a escolhida pelo governo francês para bancar a reconstrução ao custo de 6,5 milhões de euros. Não duvido que ajoelhe e, ajoelhando, se disponha a rezar. Não duvido que funde nova religião, Santa Carla B. S. Del Suffragio – legal, assim até eu acredito em deus.

égolité

A imprensa italiana não deixou barato: disse que a primeira-dama da França preferiu uma vitrine só para ela a dividir os holofotes com o resto da mulherada. À parte o ego, o recado foi claro: Comequié? um G8 para os homens, outro para as primeiras-damas? Pois, eu fico com o primeiro – parece dizer a moça, a Mulher, a primeira entre as francesas – que, aliás, é italiana de nascimento.

Perdeu, La Bruni, a benção do santo papa. Perdeu, La Bruni, o almoço das damas, realizado ontem na Terrazza Caffarelli, onde se avista uma das mais belas imagens de Roma. O cardápio é por conta do chefe (alemão) Heinz Beck, do La Pergola, restaurante do hotel Rome Cavalieri, três estrelinhas no Michelin.

Querem saber o menu? Pois, alcachofras fritas, rabada, filé de vitelo, filé de peixe crocante acompanhado de salada de ervas do campo, medalhões de lagosta, e as clássicas bruschette com tomate e azeite de oliva.

Para a primeira-dama da Índia (que, não, não é Juliana Paes), Beck preparou um menu especial, sem carne, peixe ou derivados: salada de aspargos e morangos com vinagre de Modena envelhecido 50 anos (!), risotto alle erbe, pasta crocante com verduras mediterrâneas.

Como se pode deduzir, nada que altere as curvas de Carla Bruni. A questão, mesmo, é que todas as atenções serão para uma outra moça, talvez menos bonita e desejada que a ítalo-francesa, mas com um fascínio além das curvas: Michelle Obama.

As mulheres, se sabe, mesmo as mais inteligentes e bonitas, adoram ter rivais.

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BUONA GENTE

O mundo pode ser globalizado, mas todos os vinhos do almoço das mulheres, ontem, eram italianos – anotem aí, enófilos, enólogos, sommeliers deste Ryo Grande: Berlucchi Franciacorta, San Vincenzo Anselmi, Brunello di Montalcino Biondi Santi, Malvasia di Salina Conte Tasca.

O mais caro não custa mais que 65 euros (uns R$ 170) – o que prova que os ricos de verdade sabem beber.

FRASE

Cada uma das first ladies também ganhou de presente uma bolsa, feita com material reciclado e com uma frase exclusiva bordada a mão por mulheres do Camarões – a de Michelle diz: “As mulheres enfrentam a luta”.

TARA

Tendo em vista o apetite do anfitrião, espera-se proteção extra para a senhora Sarkozy. Silvio Berlusconi é daqueles que, mijou de coca e não foi sapo, ele encara – Bruni então.

ZENBUDDISMO

Hoje tem Jubileu Samba Jazz Trio, em nova formação; amanhã Iggor Dantas recebe convidados; sábado Paralela (?) se encontra com Os Gigantes (??) – tudo na programação do Budda Pub.

O couvert às quintas custa R$ 8, a partir das 22h30.

A partir da próxima semana (16, 17 e 18), o Budda acolhe o Natal Blues Festival, com nativos e gringos, entre eles o americano Will Smith e o argentino Adrian Flores.

OVELHA NEGRO

Hoje tem Dany Negro cantando Rita Lee. No Praia Shopping. 20h30.

PROSA

“Quero aprender como se faz um passarinho.”

Fausto Wolff

A imprensa livre de

VERSO

“O que quer que me sulque até a raiz será você”

Walt Whitman

“Folhas de relva”